Desemprego e relações de trabalho
O total de desempregados no mundo equivale à população brasileira: 180 milhões de pessoas. De acordo com os dados mais recentes da Organização Internacional do Trabalho, a população economicamente ativa no mundo está na ordem de dois bilhões e oitocentos milhões de pessoas. Desse total, 6,5% estão desempregadas. No Brasil, segundo o DIEESE, a taxa de desemprego atinge 19% da população e a proporção de trabalhadores com empregos formais em relação aos informais é de 1 para 2. A mão-de-obra nunca foi tão abundante e, por isso, a dificuldade para se conseguir um novo emprego deixou de ser um problema dos menos qualificados e passou a atingir a todos, indistintamente. Tanto os operários de baixa qualificação quanto os profissionais com títulos de mestres e doutores temem perder o emprego e ter dificuldade para retornar ao mercado de trabalho. Esse cenário tão desfavorável aos trabalhadores faz com que algumas empresas não prestem atenção nas relações de trabalho, sobretudo em profissionais que produzem e apresentam bons resultados.
Segundo pesquisa do IBGE, divulgada em março deste ano, a renda das famílias brasileiras sofreu uma redução de 14% entre os anos de 2002 e 2003, a maior taxa dos últimos 15 anos. O IBGE diz ainda que se em 1988, 6% dos trabalhadores brasileiros ganhavam salários iguais a R$ 5.100,00, em 2003, apenas 4,5% recebiam este salário. Essa brutal queda na renda, associada ao aumento de custos básicos da classe média, refletiu no consumo de artigos duráveis como geladeiras, microondas, aparelhos de som. Resultado: mesmo as categorias que negociaram, não conseguiram repor a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Há uma grande expectativa de que neste ano ocorra uma inversão nesta curva. A economia tem dado sinais de recuperação, mas ainda é cedo para se vislumbrar um crescimento sustentado, capaz de absorver a grande massa de trabalhadores desempregados que tem o nosso país. Este é, sem dúvida, o grande desafio do momento.
Estatais - A s empresas estatais têm sofrido profundas alterações internas. Com o governo Lula, vários líderes sindicais foram guindados a postos gerenciais e até mesmo de direção. Na maioria dos casos, trata-se de empregados qualificados e potencialmente capazes. No entanto, a mudança de papéis vem ocorrendo de maneira rápida e sem a preparação adequada para as novas tarefas. Porque cargos gerenciais quase sempre caminham em direção oposta das lideranças sindicais. Os gerentes e os líderes sindicais são essenciais aos propósitos de seus respectivos objetivos. A diferença é que enquanto os líderes interpretam os anseios de seus liderados e os conduzem na direção deles, os gerentes se integram aos objetivos organizacionais que passam a ser também os seus. Por isso, os gerentes querem colocar as equipes na direção dos objetivos organizacionais. Em casos de greves, por exemplo, os ex-líderes sindicais hesitarão entre tentar produzir ou paralisar. Terão receios de não serem compreendidos pelos antigos companheiros e ainda não estão comprometidos com suas novas funções a ponto de vencer a inércia dos primeiros momentos do conflito. Esta situação tende a perdurar por algum tempo, pois os gerentes, cuja origem é o movimento sindical, irão demorar algum tempo para se desvencilhar de um papel e assumir o outro. Programas de treinamento em Relações do Trabalho e Desenvolvimento de Equipes poderão acelerar o processo de integração e assunção dos novos papéis. A pior solução é esperar que as coisas se acertem por si mesmas. Gerenciar é preciso.
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